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Fátima Mello é Pedagoga, mestranda em Educação, Mediadora Judicial e Escolar

Foi com muita alegria que recebi o convite da Rede Mediar para fazer estas breves considerações sobre o tema “A Criança e a Mediação de Conflitos” para o site do Pacto Niterói Contra Violência. Agradeço, a todos e todas que estão à frente desse relevante trabalho, pela oportunidade de abordar um assunto que é relativamente novo entre nós, mas que vem ganhando espaço e atenção de pais e educadores.

A questão que de imediato colocamos é: será possível uma criança mediar um conflito? De que conflito estamos falando? Podemos dizer que as noções de mediação de conflitos podem começar a ser introduzidas na infância. É possível que estes conceitos de mediação cheguem até a criança através da família, de forma intuitiva ou mesmo técnica por pais, responsáveis ou cuidadores que tenham conhecimentos na área, porém não é o habitual.

No âmbito escolar, a mediação já é bastante difundida na Espanha, França, Portugal, Argentina, entre outros países. E qual seria o objetivo de se introduzir tais conhecimentos no currículo da escola, sobretudo, na mais tenra idade? Trata-se, antes, de uma mudança de paradigma, que visa a desenvolver uma cultura de paz na sociedade, partindo do maior espaço de trocas e convivência da criança. A escola é um espaço de socialização e aprendizagem, que forma o futuro cidadão.

A mediação trabalhada nesse contexto, em especial, quando iniciada na infância, tem uma proposta preventiva e educativa, voltada para o desenvolvimento de competências socioemocionais, habilidades, valores e atitudes que possibilitam à criança lidar com possíveis conflitos com maior segurança, especificamente, em relação à criança da Educação Infantil. Não se trata de preparar alunos mediadores nessa fase do desenvolvimento, o que se torna possível a partir da adolescência. O que se pretende é oferecer, de forma lúdica, isto é, através de jogos e brincadeiras, a apreensão de conceitos tais como empatia; a atenção e a escuta ao colega; o respeito às diferenças; exercícios dialógicos; roda de soluções; medidores de emoções; círculos de paz; jogos colaborativos e coletivos; a construção de regras para a coletividade; a observação do estar em grupo; a identificação das suas emoções e reações, bem como as dos colegas; a identificação de seus interesses e necessidades, entre outros. Enfim, proporcionar a possibilidade de autoconhecimento, auxiliando sobremaneira a forma de ser e estar no mundo das relações. Estes conceitos vão sendo percebidos, apreendidos e naturalmente praticados pela criança, de forma que ela, pouco a pouco, vai se preparando para transitar no complexo mundo das relações sociais, confiando mais em si mesma e nas suas reações, diante de inevitáveis problemas da vida em sociedade.

A partir do primeiro segmento da Educação Básica, a escola pode oferecer conceitos mais sistematizados sobre mediação de conflitos. No entanto, apenas os alunos concluintes do segundo segmento da Educação Básica – nono ano – estarão aptos a atuarem, caso queiram, como mediadores de conflitos no contexto escolar. Cabe ressaltar que na escola deve haver um projeto estruturado e organizado por idade e série, com uma formação ampla, continuada e supervisionada. Este projeto deve ser iniciado com uma equipe de educadores que serão formados como educadores-mediadores, podendo ser ou não do quadro da escola. Vale dizer que a formação e atuação do aluno-mediador é um processo totalmente voluntário e realizado em momentos previamente estabelecidos, de modo a não interferir nos momentos de aula ou nos estudos do aluno. Esta é uma proposta de educação que traz em seu bojo uma formação humanizada, solidária, colaborativa e cooperativa, que se resume em uma nova forma de estar na escola, com vistas à melhoria das relações sociais, partindo do micro para o macro. Para ser bem entendido, é ideal que este projeto seja uma construção coletiva dos envolvidos no espaço escolar e, portanto, merece contar com a participação de pais, responsáveis, educadores e todos que fazem parte da comunidade.

Por fim, almejamos o fomento da cultura de paz, contribuindo com a formação de um futuro cidadão capaz de criar pontes entre as pessoas, através de uma postura empática e consciente que, sobretudo, irá priorizar uma boa convivência em sociedade.

Fátima Mello é Mestranda em Educação na UERJ, Pedagoga, Pós-graduada em Psicopedagogia, Advogada Sistêmica, Pós-graduada em Direito pela EMERJ, Delegada no Núcleo de Mediação da Comissão de Gestão de Conflitos da OAB Niterói, Mediadora Judicial e Escolar, Autora do livro “Constelações Pedagógicas”, Orientadora Educacional na ETEHL – Niterói

**Toda terça-feira o Programa DESATANDO NÓS publica um texto de um (a) convidado (a) sobre mediação de conflitos no nosso site. Acompanhe e compartilhe com amigos e familiares!