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Fabiana Lima é Advogada Colaborativa, Facilitadora de Círculos de Construção de Paz e de Comunicação Não-Violenta, Delegada da Comissão de Sistemas de Gestão de Conflitos – OAB/Niterói e Fundadora do Projeto De Coração Para Coração

Gosto de pensar nos métodos consensuais de solução de conflitos como possibilidades de transformação das relações por meio do empoderamento do indivíduo, já que se tratam de ferramentas que cuidam da educação socioemocional dos seres humanos, principalmente, no que se refere ao SENTIR e ao NECESSITAR dos sujeitos quando imersos numa relação de convivência contínua.

Nesse sentido, também penso que, para utilizarmos os meios de gestão de conflitos, seja fundamental o desenvolvimento do autoconhecimento, isto significa, buscarmos permanentemente responder: Quem somos nós? Como as emoções chegam em/para nós e no nosso corpo? Como lidamos com elas? Qual é a nossa realidade? Nossos preconceitos, nossos privilégios (Que todos nós temos, sem exceção!) E a partir das respostas obtidas nos lancemos a propor e a experimentar outras formas de vivermos juntos. Fazendo esse movimento, abrimos espaço interno para a compreensão do outro quanto indivíduo com igualdades e diferenças, que está em busca de autonomia, pertencimento, respeito, harmonia como todos os seres humanos. É pensar sobre um progresso do conhecimento do coração humano.

Partindo desse pensamento, optei por aprofundar-me nas teorias e práticas da Justiça Restaurativa de Howard Zehr e de Kay Pranis e da Comunicação Não-Violenta de Marshall Rosenberg, dentre outros autores estudiosos desses assuntos. E tendo como ponto de partida nossa PRIMEIRA COMUNIDADE, naquela que passamos boa parte das nossas vidas construindo nossas bases, nossos valores quanto pessoa humana e que norteiam nossos encontros com os outros seres vivos de um modo geral, assim como com o meio ambiente, NOSSA FAMILÍA.

Aprendi, ao caminhar por essas teorias e práticas, sobre a importância do diálogo e da escuta. Friso sempre que a transformação de uma relação começa com o ENCONTRO DO DIÁLOGO COM A ESCUTA! E para isso não existe fórmula secreta, o que deve ser feito é colocar o amor, o cuidado, o respeito caminhando junto com a prática diária. Não ter medo ou receio de dizer o que está sentindo ou o que está precisando e, ao mesmo tempo, deixar que o outro seja ele ao falar o que sente e o que precisa também. Após esse exercício, estando todos abertos e conectados, podemos promover táticas/esquemas para “tentarmos” atender as necessidades individuais e coletivas. Não é um exercício fácil! Exige paciência, vontade de saborear o ESTAR COM O OUTRO de uma forma mais harmônica, saudável e TRANSFORMADORA!

Existe uma prática restaurativa, nomeada de Círculos de Construção de Paz, utilizada tanto na existência de conflitos ou não. Podemos usá-la no cotidiano familiar com o intuito de fortalecimento de vínculos, de construção de qualidades para a relação e uma ótima oportunidade de exercitar o diálogo e a escuta.

Em casa, podemos convidar a todos que se sentem em círculo, busquem uma posição confortável, bem como que observem a respiração por alguns minutos. A ideia é trazer a atenção para o momento presente! Nessa altura do círculo já escolhemos um objeto, conhecido como objeto da palavra, ele percorrerá as mãos de cada familiar sentado no círculo, dando a todos os integrantes a oportunidade de falar e de escutar quando o outro estiver falando. A primeira pergunta direcionada num círculo pode ser no sentido: Como você está se sentindo ou como foi seu dia? Nós, adultos, ao ouvirmos as respostas da criança ou do adolescente, estamos nos oportunizando a observá-lo, a enxergá-lo quanto ser humano integral (composto de mente, corpo, emoção e espírito) e assim conhecê-lo com mais profundidade, ou seja, é um gesto de amor e de cuidado. Em suma, estamos dizendo para ele que nos importamos e que o bem-estar dele é importante para o nosso convívio.

Depois desse momento, podemos pensar em uma ou duas perguntas que estabeleçam reflexões sobre determinado assunto relacionado às necessidades pungentes da criança ou do adolescente. Uma dica é buscar textos nos quais narrem uma história que gere conexão com as questões que desejamos conversar com ele. Importante reafirmar que todos participam das respostas, em outros termos, os adultos respondem as perguntas norteadoras assim como a criança ou o adolescente. A proposta é conhecer a linguagem, as paixões, os movimentos corporais, enfim, as inquietudes humanas de cada etapa da vida – sem julgamento de valor (não é para qualificar ou desqualificar o contar, o sentir de cada um). Daí em diante, o relatar uma história, nos possibilita ressignificar momentos que marcaram nossas vidas e proporcionamos à criança ou ao adolescente um espaço seguro e confiável, simultaneamente que se sinta livre e tranquilo e torne-se um adulto afetuoso, cuidadoso consigo e com os outros.

Educar uma criança ou um adolescente, social e emocionalmente, é uma responsabilidade dos adultos, quanto educadores de um modo geral, isto é, a sociedade como um todo (dividida em comunidades) torna-se um contexto educativo responsável por preparar futuros cidadãos, capazes de sentir com outro, de agir com autonomia e com responsabilidade por si e pelo todo.

Por fim, acredito que, quando num ambiente familiar, uma criança ou um adolescente compreende o seu papel, tem TEMPO e ESPAÇO para SER e para construir uma CONSCIÊNCIA sistêmica do que é estar em convívio SOCIAL, bem como sente-se acolhido com afeto, amor e respeito, carregará consigo esse movimento para todos os outros espaços de convivência, para todas as relações. Ele torna-se um agente da PAZ!

Fabiana Lima Santos é Advogada Colaborativa (UCAM, 2006), Fundadora do Projeto De Coração Para Coração – @de.coracao_para.coracao, Facilitadora de Círculos de Construção de Paz (AJURIS, 2019), Mediadora de Conflitos Extrajudicial em formação (Mediati, 2020), Pós-graduanda de Docência em Nível Superior na AVM/UCAM. Cursos de extensão em Aprofundamento para Facilitadores de Círculos pela AJURIS; Gestão de Conflitos e Cuktura de Paz com foco no Contexto Educacional pelo IFBA; Pedagogia da Reconexão: Práticas de Conexão para uma Educação Integral pela CESGRANRIO; Mediação e Arbitragem pela FGV; Cultura de Paz nas Escolas com Práticas Vivenciais – baseado em JR pela UNISUL e Autobiografia (Habilidades Socioemocionais) pelo Instituto Singularidades. E outros cursos de aprofundamento como: Infância, Trauma e Cura: Experiências Infantis e suas Repercussões na Vida Adulta pela BIO DESENVOLVIMENTO HUMANO; Terapia Cognitiva baseada em Mindfulness (MBCT) pelo Centro de Mindfulness do Brasil; Comunicação Não-Violenta aplicada à educação: Caminho para a Construção da Cultura da Paz (Imersão) pelo Instituto CNV Brasil e Introdução à Comunicação Não-Violenta (Imersão) com Dominic Barter.

Contatos pelo e-mail: santosconsultoriaeplanejamento@gmail.com ou pelo celular: 21 995451311

**Toda terça-feira publicamos um texto de um (a) convidado (a) sobre mediação de conflitos.