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O texto de hoje é o Artigo Científico apresentado pelos Guardas Civis Municipais Jovane Gonçalves, Nilson Cunha e Renato Pacheco à Diretoria de Ensino e Pesquisa para cumprimento de exigência curricular do CQP I. Orientado pela Prof.ª Mª. Luara Carvalho e pela Orientadora de conteúdo Monica Azzarati. O texto foi publicado na Revista Científica Guardiões de Niterói, Vol.1, Ano 2, Nº. 1 2019, do Centro de Formação e Qualificação de Guardas.

COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E ABORDAGEM DE CONFLITOS NA GUARDA CIVIL MUNICIPAL DE NITERÓI

Resumo
O presente artigo observa as estruturas legais e técnico-operacionais que orientam a composição e os argumentos que justificam um sistema de solução de conflitos na esfera de atuação da Guarda Civil Municipal de Niterói, mediante aos conflitos internos e externos. Para tanto, corrobora a compatibilização do uso de ferramentas de comunicação, linguagem e abordagem de conflitos na Guarda Civil Municipal de Niterói, visando mediar a conciliação com as atividades dos agentes municipais, em face da missão constitucional da corporação, e explora os tipos de conflitos passíveis tanto, internos quanto externos. Desse modo, demonstra a existência de um espaço de consensualidade que pode ser melhor, ocupado no esforço pela convivência. Por fim, evidencia os benefícios operacionais, com a aceitabilidade do agente e a qualificação profissional, juntamente com a consolidação da cultura do bom relacionamento com o munícipe, utilizando diversas formas de linguagens para adequar os tipos de abordagem. Assim, percebe-se que é possível resolvermos a questão dos conflitos internos através da mediação, e começamos a resolver os problemas do agente municipal com a abordagem aos conflitos externos. Por tanto,
uma vez que o agente tenha resolvido os seus problemas de comunicação e conflitos internos, ele muda a sua forma de abordagem no serviço externo junto a munícipe, e dessa forma começa o processo de mudança da imagem do Guarda
municipal junto ao munícipe, quebrando o conceito de que o guarda é somente o repressor, o que multa, o que prende a mercadoria do camelô, mas sim é o que auxilia o deficiente, a criança perdida e o idoso, é o mediador que sabe abordar e se
comunicar através de gestos e palavras, procurando proporcionar com sua proximidade a tão escassa sensação de segurança, servindo e protegendo o cidadão.

Introdução

O presente artigo versa sobre o processo de identificar o meio de comunicação, o tipo de linguagem e método de abordagem utilizado em conflitos interno e externo. Assim, é importante delimitar que o campo de estudo desse artigo será na Guarda Civil Municipal de uma cidade localizada no Estado do Rio de Janeiro. Neste sentido, faz se importante reconhecer a metodologia de mediação. Além disso, também é relevante observar a partir de uma abordagem ligada ao módus operandis institucional, com o objetivo de solucionar as questões apresentadas.

Deste modo, há o destaque de duas ideias de convivência na Guarda Civil Municipal. A primeira ideia é formada a partir dos conflitos internos existentes entre os agentes. A segunda ideia já se apresenta nas relações executórias, colocando os
agentes como personagens diretos.

Segundo Berg (2012) a palavra conflito advém do latim “conflictus” que significa choque entre duas coisas, embate de pessoas ou grupos opostos que lutam entre si, ou seja, é um embate entre duas forças contrárias. O conflito, portanto, é
natural do ser humano e por isso tão presente no ambiente institucional (BERG, 2012), principalmente na área da segurança pública.

O ambiente institucional na Guarda Civil Municipal é composto por pessoas, das mais diversas opiniões e personalidades e por isso pode ocasionar embates, ou seja, conflitos entre as partes. Assim, justifica-se estudar essa temática, uma vez
que é extrema relevância saber mediar essa situação. Ao realizar a mediação de conflitos é possível trazer benefícios, para as pessoas, para a sociedade e toda a Guarda Civil Municipal. É neste sentido que a Linguagem e a Comunicação
apropriada se insere, sendo importantes ferramentas da atividade profissional.

Umas das formas de utilizar esses fatores influenciadores, segundo Mario Kaplun é através da Educomunicação, sendo, portanto, um benefício para a relação interpessoal dos agentes da Guarda Civil Municipal (Kaplun, 1993). É nesse sentido,
que esse artigo tem como objetivo abordar a Comunicação, Linguagem e Abordagem na segurança pública com ênfase na Guarda Civil Municipal de Niterói e seus impactos e resultados nos seus diversos setores.

Assim serão apresentados conceitos, tipos e fatores causadores de conflitos, além de formas de administrá-los, e seus efeitos nas organizações, sobretudo na Guarda Civil Municipal. Desta forma, para que esse estudo se torne mais claro e compreensível, tanto para os agentes quanto para seus gestores será realizada uma revisão literária com base em livros importantes sobre o tema, artigos científicos e obras de especialistas na área. Os principais tópicos da gestão de conflitos serão estudados, pois se bem administrados podem tornar-se um grande aliado ao crescimento e desenvolvimento dos agentes e gestores. Diante disso se torna instigante estudar e conhecer melhor o assunto, que é ainda pouco abordado em
trabalhos científicos e nas organizações, embora seja de suma importância para uma boa gestão de pessoas.

Desenvolvimento

A apresentação desse estudo indica pontos dos conceitos, dos tipos e dos fatores causadores de conflitos de diversas naturezas, quer sejam as que estão no seio interno, quer sejam as do seio externo. Nesse sentido, trata-se do modo de
como identifica-se os conflitos, bem como a maneira que, os mesmos são administrados. Além disso, cabe apontar também as suas consequências dentro das organizações, sobretudo na Guarda Civil Municipal de Niterói.

Diante disso, se torna instigante estudar e conhecer melhor o assunto, que é ainda pouco abordado em trabalhos científicos e nas organizações, embora seja de suma importância para uma boa gestão de pessoas. É assim que se segue os
posteriores tópicos desse desenvolvimento.

Por fim, cabe apontar que o conflito pode se transformar em confronto. Assim como Cortella (2017) enfatiza que a divergência é admissível, e até desejável, mas ela nunca pode conduzir a anulação do outro, daquele que pensa diferente.

1.1 Histórico da Linguagem e Comunicação
Comunicação e Linguagem podem ser entendidas como o estudo sobre a forma como nos comunicamos através de diversos tipos de linguagem, assim também como os meios usados para isso, por exemplo os sinais. O estudo desses dois
fenômenos também envolve as funções da linguagem, os processos de comunicação, os algoritmos linguísticos e a evolução da linguagem.

No que tange a comunicação, vale ressaltar que é entendida como a troca de dados por meio de códigos simbólicos, como a linguagem falada, a linguagem escrita, e por fim, a linguagem gestual. Vendo assim, parece fácil, que basta aprendermos a falar, escrever e tudo está resolvido. Mas há muito mais envolvendo linguagem e comunicação.

Assim é que a metodologia de comunicação configura, muitas vezes, o fenômeno mais importante do ser humano. Perceber esse processo requer uma viagem no tempo para conhecer a história da comunicação – como se originou a fala, o desenvolvimento da linguagem e sua evolução ao longo da história. Pois é exatamente isso que configura a linguagem e comunicação, um resgate de partes importantes da aquisição da linguagem e o começo da comunicação (Carvalho,
2018).

Já no tocante à linguagem, é possível apontar que a linguagem é a utilização de códigos capazes de transmitir informações entre emissor e receptor estabelecendo uma comunicação (Carvalho, 2018). Assim, o uso da linguagem tornou-se profundamente enraizado na cultura humana para comunicar e compartilhar informações. Nesse sentido, também cabe destacá-la como uma expressão de identidade e de estratificação social, a manutenção da unidade em uma comunidade, e por fim, para o entretenimento entre pessoas. Além disso, a palavra “linguagem”; também pode ser usada para descrever o conjunto de regras que torna isso possível, ou o conjunto de enunciados que pode produzir essas regras.

A linguagem usada na forma de abordagem, por sua vez, quer seja interna ou quer seja externa, se faz necessária quando entendemos que precisamos primeiramente falar a mesma língua, resolver os nossos conflitos dentro da própria corporação, e assim levarmos a experiência e o conhecimento para a prática externa junto ao cidadão.

Atualmente, a Guarda Civil Municipal de Niterói conta com cinco Inspetorias regionais, seis Coordenadorias e Departamentos Operacionais como o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP). Assim, diante de tantos departamentos em seu universo de funcionalidades, é preciso usar uma única linguagem de forma objetiva e eficaz.

Para que essas engrenagens funcionem bem encaixadas sem rangidos e folgas, se faz necessário a realização de um estudo abrangente para a criação de um Procedimento Operacional Padrão (POP). Esta é uma descrição detalhada de todas as operações necessárias para a realização de uma tarefa, ou seja, é um roteiro padronizado para realizar uma atividade, ou até mesmo uma forma de linguagem interna que poderia evitar o conflito disfuncional.

1.2 Mediação de Conflitos
No que diz respeito a abordagem e a mediação de conflitos não há como falar em metodologia da abordagem e mediação sem citar “Mediação de Conflitos nas Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs)” (Barbara; Musumeci; Mourão, 2015;
Strozenberg, 2015).

As UPPs mostravam claramente a vontade do Estado em se comunicar com as comunidades, porém apesar de haver muitas UPPs, o fato é que, elas diferem muito umas das outras em diferentes tipos de linguagens, abordagens e mediações.
Em Notícia de uma Experiência, Barbara Mourão revela que é possível que a mediação provoque um destempero exatamente pelo fato de um agente de segurança pública, de quem se esperariam ações discriminatórias e julgamentos,
agir com neutralidade e atuar na facilitação de diálogos.

Porém, se bem efetivada, a mediação contemporiza para as partes o podervde motivar as saídas possíveis para o litígio, reconhecendo e reforçando sua capacidade decisória. Assim, surge, portanto, seu potencial para a abertura de novos canais de comunicação entre a polícia e a população (Cooper, 2003).

Essa experiência poderia causar um conflito dos estereótipos e, com isso, o aumento do repertório de cobranças sobre a polícia, mesmo a polícia não tendo o poder de revogar os traumas dos conflitos contido nas memórias individual e coletiva
de toda a população.Mediante a experiência com as UPPs, entende-se que o processo de abordagem e mediação, não será eficaz se não prepararmos o Mediador, o Guarda Civil Municipal, que vai estar na linha de frente e se ele não estiver capacitado, toda a abordagem estará comprometida.

Para isso, se faz necessário trazer o agente para a sala de aula, capacitá-lo e orientá-lo. Como bem aponta Strozenberg (2015) se você não trouxer e não disser para o agente, de modo real, onde ele pode buscar essa proximidade, ele tem
dificuldade, porque, naturalmente, ele está envolvido no seu cotidiano, ele já entrou na corporação e os mais antigos já lhe deram as diretrizes e ele entende que é assim que funciona.

Além disso, já existe uma cultura dentro da corporação vivenciada pelo agente, não adiantará trazer o agente para a sala de aula, passar uma política de abordagem e mediação diferente e enviá-lo novamente para as ruas. Deste modo, ele acaba agindo com a mesma conduta e postura, segue quase automaticamente o trajeto dos seus colegas, em um modo de operação rotineira na realização dos seus processos, acabam entrando em modus operandi.

Assim, conclui-se esse tópico salientando que é preciso sempre investir no Agente Municipal, com cursos de qualificação e capacitação continuadas e reguladas, com conteúdo abrangente ao menos uma vez por ano, assim ele não terá dificuldades de participação, pois sua instrução é continua e seu entendimento busca ser eficaz.

1.3 Conflito

Já sobre o tópico Conflito, é preciso definir que, segundo (Berg 2012), a palavra advém do latim “conflictus”. O conflito é uma situação que envolve um problema, uma dificuldade e pode resultar posteriormente em confrontos, geralmente entre duas partes ou mais, cujos interesses, valores e pensamentos observam posições absolutamente diferentes e opostas.

Segundo Mirazón (2016), foram encontradas evidências de conflitos entre povos há mais de 10,5 mil anos. Nesse período histórico, um exemplo salientado pela autora sobre os Nataruk, aponta que, o mesmo, teria sido um território fértil, com árvores e uma lagoa, e provavelmente um local invejável para se viver – o que talvez tenha motivado o conflito. Também havia evidência de habitações, o que sugere que o povo de Nataruk estocava comida. O massacre de Nataruk pode ter
sido resultado de uma tentativa de roubar recursos: território, mulheres, crianças, comida armazenada, tudo isso tinha valor similar para as sociedades que se tornariam agricultoras. Ataques violentos eram parte da vida.

Assim, é possível observar várias questões motivadoras do conflito Nataruk, tais como conquista territorial, proteção da família e sobrevivência. Todas mostrando que o mundo não mudou muito em 10 mil anos. Atualmente, portanto, na definição
dos conflitos organizacionais estes são divididos em funcionais e disfuncionais.

Os conflitos funcionais são os de tarefa e de processo. Já os conflitos de relacionamento e de processos, são considerados disfuncionais. Segundo Robbins (2005), conflitos de tarefa dizem respeito aos conteúdos e objetivos do trabalho; os
conflitos de processo relacionam-se a maneira como o trabalho é realizado e os conflitos de relacionamento se referem às relações interpessoais. Para ele os conflitos de relacionamento são disfuncionais e o nível de conflitos de processo deve
ser baixo.

Segundo Shinyashiki (2016), “o conflito pode ser construtivo”. O conflito num grupamento dentro da estrutura da Guarda Municipal, por exemplo, manifesta-se quando os agentes têm interesses e objetivos diferentes ou até contrastantes. O
líder precisa estar consciente que o conflito deve ser mediado e o confronto deve ocorrer naturalmente, pois é potencialmente produtivo para a realidade da equipe e das relações interpessoais. Ele estimula o pensamento e permite que diversas
opiniões em relação a uma situação sejam consideradas para a tomada de decisão, permitindo uma ampla gama de ideias e soluções.

Portanto, o ponto não é evitar o conflito e fechar os olhos para o confronto, mas saber geri-los de forma a torná-los eficazes e produtivos para o grupo. Uma liderança eficiente facilita uma comunicação adequada e permite aos integrantes ouvir outros pontos de vista com flexibilidade para mudar de ideia, se necessário. É assim que a mediação de conflitos, sobre tudo no que tange ao líder, se faz importante.

Método

Esse estudo foi realizado por meio de uma revisão de literatura sobre a Comunicação, Linguagem e Abordagem na segurança pública com ênfase na Guarda Civil Municipal de Niterói e seus impactos e resultados nos seus diversos
setores.

Para tanto, foram utilizados artigos científicos, pesquisas e livros de autores que estudam esse tema. Além de incluir também as próprias percepções dos atores que fazem parte das equipes, e as experiências dos próprios autores desse estudo.

Discussão dos resultados

O conflito em uma visão sistêmica, cresce por falta de uma observação detalhada de comportamento dos indivíduos que compõe a estrutura organizacional, seja o líder ou comandado .De acordo com Cortella (2017) o conflito quando
identificado acaba por ajudar no crescimento, porém é preciso observar quando este conflito se transforma em confronto, pois neste último existe perda.

Neste diapasão, o momento de observação diante do relacionamento interpessoal profissional, onde uma instituição organizada não identifica em um sorriso a possibilidade de estar sendo camuflado o caos, sobretudo de forma rotineira passa a abordar seus agentes de segurança como satisfeitos no desempenho de suas atribuições. Além de, não buscar uma informação detalhada, mais profunda diante o conhecimento das atitudes recorrentes do comportamento por vezes faltosos, inquietos e gritos de insatisfação. O objetivo desta elucidação conflito versus confronto elege naturalmente como de interesse institucional o bem-estar do profissional em relação a suas atividades.

O processo deste conflito vem historicamente, antes mesmo de uma organização assumir o papel de personagem atuante na segurança pública. Nosso relacionamento tem uma comunicação que precisa ser mais bem construída, com objetivo de identificar a linguagem que previne ou vai mediar o possível conflito.

Contudo, podemos facilmente perceber que nossa comunicação está sendo falha e, é preciso mudar nosso paradigma, deste modo o problema do líder ou comandado é notado mesmo que seu sorriso esteja escondendo a alegria da morte.

Desta forma, estudando a necessidade do meu próximo, quer seja no conteúdo profissional ou quer seja no seu bem estar, nosso desafio é encontrar o código que define o entendimento necessário para minimizar os erros e potencializar
nossa força. Neste momento, a percepção do perfil profissional que se deseja passa pela criação do planejamento estratégico que se pretende construir por uma análise básica de como estamos e aonde queremos chegar, mas para tanto devemos cuidar daquele que executa as ordens, visto que o início do processo equivocado vai determinar o resultado possivelmente ineficaz. A visão da instituição entre os agentes em perceber de forma apenas objetivar a prestação do serviço competente,
sem ter a observação do momento em que se encontra o agente executador, com um prisma profissional e sobretudo humanizado, interfere diretamente no comportamento e na garantia da execução eficiente do serviço.

Sobre a informação, o objetivo do estudo foi atingido, uma vez que, diante do exposto, foi possível abordar a Comunicação, Linguagem e Abordagem na Guarda Civil Municipal. A partir dessa exposição é que conseguimos identificar que a
comunicação entre as pessoas é um aspecto de extrema importância nos impactos e resultados de diversos setores. A partir do modo como observa e se dirige ao colega de farda muda completamente o restante do resultado. Isso é tangível tanto
no trabalho interno dentro dos muros da instituição como no trabalho externo no campo de trabalho propriamente dito.

É nesse sentido que o serviço da Guarda Civil Municipal não está apenas ligado no quesito segurança, mas também em todo o aporte de prevenção de saúde física e mental para toda a sociedade. Esse apontamento se enquadra dentro dos
padrões estabelecidos na teoria das inteligências múltiplas, proposto por Gardner, a inteligência intrapessoal é a capacidade de reconhecer os próprios limites e potenciais através de um conhecimento apurado de si mesmo.

Este processo de autoconsciência, portanto, potencializa as relações sociais ao favorecer a administração de pensamentos e emoções (BRASIL, 2015). Além de, pelo próprio relacionamento intrapessoal é a integração do autoconhecimento, autodomínio e automotivação. Neste processo, a autoconsciência ou meta cognição propõe um estado mental de autoanálise sobre uma situação vivenciada, onde há consciência dos pensamentos e emoções vivenciadas. Essa consciência das
emoções é a aptidão emocional fundamental sobre a qual se fundam outras, como o autocontrole emocional. O autocontrole aumenta a capacidade de pensamento complexo e flexível resultando em maior facilidade para encontrar soluções para os
problemas (GOLEMAN, 2011).

Quando a relação intrapessoal for baseada no conhecimento profundo do próprio comportamento e de suas contingências determinantes, proporcionalmente serão as oportunidades de melhorar as relações consigo mesmo e com os outros (SOUZA; RODRIGUES, 2007).

Uma linguagem estratégica para prevenir o conflito e estimular a comunicação

Assim que o Centro de Segurança Pública foi inaugurado em 2015, a forma de rendição aos 10 colegas de serviço era da seguinte forma: Às 19 horas, ao render seu colega em uma das 12 posições de operador de câmeras, o Guarda Civil Municipal assumia o serviço ocupando a posição correspondente a sua função no monitoramento, e assim gradativamente os outros agentes faziam o mesmo. Os que estavam sendo rendidos, levantavam-se e iam direto para os vestiários trocarem as
fardas, pois estavam cansados depois de um plantão de 12 horas.

Com o tempo percebi que apesar de trabalharem no mesmo setor, a correria da rendição do serviço fazia com que os agentes quase não tivessem contato uns com os outros, impedindo a comunicação interpessoal (Comunicação que prove a troca de informações entre duas ou mais pessoas), dessa forma os agentes só estavam se comunicando e se relacionando com os membros de sua ala, como classificamos as equipes no CISP.

Outra consequência, era quando tínhamos a necessidade de remanejar um agente para outra ala, esse agente acabava ficando isolado, pois não tinha nenhum tipo de contato com os membros daquela equipe, isso também interferia na
produtividade do agente, pois o serviço de monitoramento requer entrosamento entre os membros da equipe.

Entendendo que essas questões poderiam trazer possíveis conflitos devido à falta de comunicação, adotamos a seguinte estratégia: Qualquer funcionário lotado no Centro Integrado de segurança Pública, sendo Guarda, Policial, Coordenador,
Subinspetor ou Inspetor, e que atue diretamente ou indiretamente na sala de monitoramento, entrando na sala de monitoramento, cumprimentasse um por um, uns com aperto de mãos, outros com abraços e até beijos no rosto dependendo do grau de intimidade, de uma forma espontânea, criando assim um canal de comunicação interpessoal, prevenindo possíveis conflitos através de uma forma de linguagem que transcende qualquer idioma, raça ou cor, que é, o abraço, o aperto de mãos, o beijo e o sorriso. As fotos seguintes foram incluídas para representar comportamentos não verbais de colaboração entre as equipes. Todas as imagens são reais e atuais e por isso representam de forma fidedigna o fenômeno estudado e os resultados benéficos de tal intervenção.

Conclui-se que este estudo traz contribuições para a promoção de reflexão sobre como os próprios agentes utilizam os recursos de comunicação, linguagem e abordagem para a atuação profissional e como ter um direcionamento muda essa
questão. Assim, sugerimos estudos futuros que façam tal pesquisa com o aporte de entrevistas em profundidade para investigar o profissional diante do conflito, quer seja de conteúdo (na instituição), quer seja particular (psíquico), visando o
crescimento não somente coletivo, mas buscando a dignidade da pessoa humana.

Referências

CARVALHO, Luciana. Experiência em treinamento e assessoria em comunicação. Diretora LC Luciana Carvalho – Desenvolvimento em Comunicação. 2018.BERG, Artur.Administração de conflitos: abordagens práticas para o dia a dia. 1. Ed. Curitiba: 2012.STROZENBERG, Pedro. Mediação de conflitos nas upps: notícias de uma experiência.2015.
MOURÃO, Barbara Musumeci. Mediação de conflitos nas upps: notícias de uma experiência.2015.
KAPLÚN, Mário. Boletim ALAIC. México: ALAIC, n 7-8, p.125, 1993.
CORTELLA, Mário Sergio. Filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro – Liderança em Foco – 2017.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria emocional que define o que é ser inteligente. 10 ed.Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
BRASIL. Ministério de Educação-Secretaria de Educação a Distância. Múltiplas Inteligências na Prática Escolar. Caderno da TV Escola, 00159. p. 13, 2015.
SOUZA, Alessandra da Silva; RODRIGUES,Josele.Autoconhecimento: contribuições da pesquisa básica. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 1, p. 141-150, jan./abr. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v12n1/v12n1a16. Acesso em 9 de mai. 2017.

JOVANE GONÇALVES é Guarda Civil Municipal de Niterói e Professor de Educação Física Licenciatura Universidade Salgado de Oliveira (2020). É servidor da Prefeitura Municipal de Niterói há 17 anos. Já foi do Exército Brasileiro de 1994 a 2000. Foi da Superintendência de trânsito de Niterói no cargo de agente de trânsito 04 anos de 2000/2004. Na Guarda Civil Municipal de Niterói, concluiu o Curso de Qualificação Profissional (CQP I), previsto na Lei 3077/2014 do Plano de Cargo, Carreira e Remuneração da Guarda Civil Municipal,em que junto com os também Guardas Civis Municipais Nilson Cunha e Renato Pacheco produziram este artigo científico.

 

 

 

Cunha é Inspetor da Guarda Civil na Prefeitura de Niterói e está Diretor executivo do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), desde 2016. Atua há 23 anos como servidor na Prefeitura de Niterói. Tem formação técnica na área de Tecnologia da Informação (TI-2012). Técnico em Fusão de Fibras Ópticas e Análise e Detecção de Defeitos (2013). Atualmente, buscando o constante aperfeiçoamento técnico, cursa Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Tecnólogo). Na Guarda Civil Municipal de Niterói, concluiu com louvor o curso de qualificação profissional (CQP II), previsto na Lei 3077/2014 do Plano de Cargo, Carreira e Remuneração da Guarda Civil Municipal, produzindo, junto aos também Guardas Civis Municipais Renato Pacheco e Jovane Silva, este artigo científico.

 

Renato Pacheco é Guarda Civil na Prefeitura de Niterói. É servidor público da Prefeitura de Niterói há 27 anos. É bacharel em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira (2014) e pós-graduado em Segurança Pública (2019) pela mesma instituição de ensino. Atualmente, buscando o constante aperfeiçoamento técnico, cursa especialização em Psicanálise na Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Na Guarda Civil Municipal de Niterói, concluiu com louvor o curso de qualificação profissional (CQP I), previsto na Lei 3077/2014 do Plano de Cargo, Carreira e Remuneração da Guarda Civil Municipal, produzindo, junto aos também Guardas Civis Municipais Nilson Cunha e Jovane Silva, este artigo científico.

 

 

**Às terças-feiras publicamos um texto de um (a) convidado (a) sobre mediação de conflitos.